terça-feira, 23 de março de 2010

A função de escuta e o papel de aconselhamento na liderança

A Função de Escuta e o Papel de Aconselhamento na Liderança

Marcelo Quirino
Publicado em 23.02.2010

Qualquer ministério cristão possui a dimensão social (comunhão), a técnica (ministerial) e a bíblica (pastoral). Muitos líderes se concentram somente nas duas primeiras, privando os liderados da relação de edificação e consolação bíblica.

Para aconselhar biblicamente, o líder precisa saber escutar integralmente e com empatia. Muitas vezes achamos que alguém está escutando de verdade, mas apenas fica em silêncio enquanto seletivamente ouve imbuído de preconceitos

É imprescindível saber que ao mesmo tempo em que o liderado fala, nossos pensamentos de censura falam também. Dê ouvidos apenas à fala do liderado nesse primeiro momento. Outro que falará com você é o Espírito Santo de Deus, esteja atento.

Escutar um liderado é saber que ali há um corpo que fala integralmente. Escutar um liderado é saber que apesar de convertido, é uma pessoa com conflitos interiores, típicos do ser humano.

Ofereça um clima de escuta sem censura, com empatia, aceitação total e interesse. Escutar é uma ciência e possui princípios que devem ser seguidos para que haja eficiência no processo.

Escute muito e forneça o feedback que está compreendendo, independente de estar concordando. Escute evitando conjecturas sobre o caso. Escute a pessoa, sua fala, suas emoções, seus sentimentos e seu corpo, pois este se comunica também o tempo todo.

Utilize uma atenção flutuante, que não seleciona partes da fala para análise paralela na mente. Perguntas que esclareçam a fala do liderado podem ser feitas para a escuta se aprimorar. Intervenções curtas para esclarecer não devem ser feitas no momento em que a fala representa um desabafo.

Para escutar com empatia, coloque-se no lugar do interlocutor. Ele tem o direito de sentir raiva, impulsos violentos e agressivos. O problema é o que se faz com esses impulsos e como os controla.

Não censure os pensamentos inadequados do liderado de pronto. Aborde o tema depois com cuidado, pois quase sempre se perceberá que esses pensamentos nunca seriam postos em ação.

Aumente a capacidade do liderado de olhar para si, para os seus sentimentos, expressões, comportamentos e formas de relacionamentos. Ajude-o a demonstrar expressões, sentimentos, emoções e a elaborar a problemática de maneira objetiva.

Espelhe e resuma a fala para mostrar que a entendeu. Essas técnicas oferecem a possibilidade de demonstrar que ele está sendo acolhido em sua individualidade pelo simples fato de estar sendo escutado com atenção.

Após a escuta integral da problemática principal, ofereça questionamentos que permitam pensar sobre a dificuldade. Ao invés de oferecer conselhos, indague sobre o melhor caminho com base na Bíblia, estimulando a autonomia.

Em casos mais graves é aceito uma atitude diretiva. Em outros, o questionamento resguarda a individualidade e oferece a possibilidade de reflexão, de tomada de consciência e de desenvolvimento de habilidades de decisão.

O processo mental de um liderado diante de uma dificuldade ministerial sempre obedece ao fluxo de percepção, análise, conclusão e decisão. Identifique quais dessas habilidades do ego lhe faltam para proceder ao auxílio psicológico e ao exame conjunto da situação, como um ego auxiliar.

Antes de oferecer uma sugestão, estimule o esclarecimento da sua situação. Muitas vezes, a angústia vem da incapacidade de entender o que se passa consigo mesmo e com o ministério. Estimular o esclarecimento é muito útil na medida em que desenvolve a capacidade de autonomia do ego ao pôr o liderado para buscar o entendimento de sua problemática.

Para ajudar no desenvolvimento dessas capacidades do ego, há algumas técnicas que podem ser utilizadas. A técnica do esclarecimento visa descrever o que se passa nos detalhes. Já a técnica da reflexão, busca ‘os porquês’, ’os para quês’. A técnica de confrontação visa corrigir a fala do liderado e trazer à consciência algum comportamento inadequado de forma mais específica através das indagações.

Isso deve ser feito em momento oportuno, depois que o liderado teve um momento de escuta ativa e empática. Oferecer confrontação logo de início sem antes escutar os desabafos é um grave erro que compromete a capacidade do liderado de se abrir.

A exposição da Bíblia não é um momento proibido, mas deve ser feito quando a capacidade do liderado escutar já se restabeleceu. Há momentos em que o liderado não escuta, pois o nível de angústia é grande.

Por fim, o líder deve saber distinguir entre liderados que tem um bom nível de amadurecimento e os que precisam apenas de sugestões mais simples e diretas. Liderados com características de autonomia e autocontrole apenas precisam desabafar e ou serem ajudados a pensar.

O líder não deve reduzir o aconselhamento bíblico à prática de conselhos, sugestões de decisões e com pregação, mas o apenas escutar é uma técnica muito poderosa e importante que tem por objetivo ajudar a desenvolver a capacidade de decisão do liderado.

Portanto, o aconselhamento bíblico não deve ser passivo, deve oferecer não só a diminuição da angústia, mas também desenvolver no liderado habilidades de análise e de resolução prática de problemas, promovendo assim a autonomia e a independência psicológica.

Liderança integral na formação de equipes
Gustavo Falcão
Publicado em 23.02.2010
Desempenho e resultados cada vez melhores são alguns dos desafios da liderança hoje e sempre. Para que o líder possa desempenhar bem seu papel é importante que ele entenda em que estágio os membros de sua equipe se encontram. No início, a busca da equipe é pela aceitação, sobrevivência, receber atenção, estabilidade, fazer parte, com essas necessidades atendidas, busca-se a afirmação profissional, seu poder de influência, empowerment e só então, alcança-se a auto-realização que é o compartilhar, a plenitude, viver com base no tripé missão, visão e valores com integridade.

ACEITAÇÃO

O profissional que está na fase da aceitação é aquele que está mais ansioso, tem o desejo de receber mais atenção, de ser notado, busca se firmar na equipe, conhecer as outras pessoas, convive com alguns momentos de insegurança em relação a sua aceitação ou rejeição perante aos colegas de trabalho.

Existe uma preocupação muito grande com o que os outros estão pensando a seu respeito. Para alguns essa fase passa rápido, para outros nem tanto. O ponto comum é que em ambos os casos, eles esperam por um líder que oriente, tranquilize e os ajude a amenizar essas preocupações, de tal maneira a acelerar o progresso da equipe.

Normalmente, essa fase da aceitação ocorre com novas contratações, tanto do líder, como de membros da equipe, ou quando pessoas são designadas a um projeto novo com pessoas de outras áreas dentro da mesma empresa.


INFLUÊNCIA

Passada essa necessidade de aceitação, que está, fazendo um paralelo com as hierarquias das necessidades, ligada às funções primárias (fisiológicas e de segurança), o profissional sobe um degrau nos seus motivos que o levam a ação e como já se sente aceito, isso já está satisfeito internamente para ele, agora a motivação é expandir seu poder de influência, partindo para as necessidades secundárias (sociais, de estima e auto-realização).

Nesse momento o profissional quer atender as suas necessidades de prestígio, sua preocupação é mais consigo mesmo e menos com os outros, se torna mais competitivo, quer mostrar que é capaz, mostrar trabalho, quer ser visto, notado, ser reconhecido, obter algum tipo de controle e autoridade sobre as pessoas. Seu ponto vulnerável é o medo de parecer incompetente e ser superado pelos “oponentes”.

O papel do líder nessa etapa é fundamental, é o momento de desafiar o profissional, incentivar, porém, com muita atenção aos excessos que podem surgir pela vontade de ampliar as fronteiras.

É preciso definir os papéis e as funções de cada membro da equipe, estipular limites e levar em consideração o nível de maturidade de cada membro. A maturidade do líder também será testada, à medida que seus colaboradores querem ter mais poder de influência, o líder pode cair na armadilha de se sentir ameaçado por eles e seu sistema de defesa pode ser acionado através da centralização de informações e ações que levam às barreiras da comunicação, descritas anteriormente.

É um momento que exige muita atenção e esforço do líder para conter e ao mesmo tempo encorajar seus colaboradores a assumirem responsabilidades, ajustarem expectativas e canalizar essa força, focando-a na missão, visão e valores da organização e não apenas nos interesses pessoais.

COMPARTILHAMENTO

Tornar perene, ter plenitude, integridade, foco na missão, visão e valores, transcender a vontade própria, seu movimento interno tem uma necessidade menor em provar algo para si mesmo ou para os outros. A automotivação é bem desenvolvida e a equipe compartilha entre si problemas e soluções, é a auto-realização na escala de Maslow.

O líder deve ficar atento para que a equipe não entre na zona de conforto, no “status quo” achando-se auto-suficiente a ponto de estagnar. É importante o líder provocar alguns desafios para evitar o ciclo vicioso e manter a equipe no ciclo virtuoso.

Os membros das equipes costumam transitar por essas três fases e com ações e reações distintas nos momentos bons e ruins, por exemplo: a dinâmica da equipe quando um colaborador tem um dia ruim, os colaboradores que estão na fase da ACEITAÇÃO, têm a tendência de não se importar e muitas vezes nem se quer saber o que está acontecendo com o outro, por estarem muito focados em si próprios, por outro lado, os colaboradores que estão na fase da INFLUÊNCIA, podem, sem demonstrar, até ficar contentes, afinal, por ser uma fase onde os membros da equipe estão muito competitivos, o dia ruim de um “oponente” pode significar a “vitória” para outro. Já os colaboradores que atingem o nível do COMPARTILHAMENTO, poderão nesse momento manifestar apoio e ter a iniciativa de buscar soluções em conjunto para manter a performance em alta na equipe.

As reações também se diferem quando um colaborador tem um dia com bons resultados. Os colegas que estão no processo da ACEITAÇÃO podem manifestar o sentimento de preocupação pela “ameaça” à sua estabilidade, por ainda terem medo da rejeição. Os colaboradores que estiverem no processo da INFLUÊNCIA podem até sentir inveja, por ter de provar seu valor e medir forças de poder e quando acontece de alguém ter mais sucesso, mesmo que seja bom para a equipe como um todo, essa pessoa pensa que ela deveria estar “na crista da onda” e não o outro. No COMPARTILHAMENTO é interessante notar que a maioria dos colaboradores comemorará junto a conquista, pois focam os objetivos e interesses do grupo e não apenas os seus.

A liderança integral opera nesses diferentes níveis de motivação da equipe, interpretar e criar estratégias e, principalmente, agir norteado por essas características, auxilia a tomada de decisão a ser mais focada e produtiva. A liderança integral tem o papel importante que é fazer as pessoas trabalharem bem e juntas.

Discipulado: prioridade para o crescimento da Igreja
Sérgio Melfior
Publicado em 23.02.2010
Jesus estabeleceu para a Igreja algumas prioridades, que fluíram a partir do derramamento do Espírito (At. 2). Vemos que os primeiros cristãos consideraram a comunhão dos santos (At. 2.42,46), a adoração ao Senhor (At. 2.47a), a evangelização (At. 2.47b), a ação social (At. 2.44,45) e o discipulado dos recém convertidos (At. 2. 40,41) como prioridades de sua marcha terrestre.

Quero destacar a prioridade do discipulado como modelo para o crescimento da Igreja, cumprindo a determinação do Senhor: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século. (Mt. 28.19-20).

Por discipulado entenda-se o processo em que o novo convertido recebe todas as instruções indispensáveis para sua formação e crescimento de sua fé, até que esteja apto a fazer outros discípulos, reproduzindo assim o modelo do caráter cristão descrito em 2 Tm. 2.2: “E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.”

Vemos que o crescimento explosivo da Igreja no Século I se deu por meio do discipulado. Jesus formou o seu grupo de discípulos, inicialmente com os 12 (Mt. 10.1-4), depois com 70 (Lc. 10.1) e, finalmente, com mais de 500 discípulos (1 Co. 15.6). Logo após o Pentecostes, os discípulos começaram a multiplicar, ensinando e batizando aqueles que iam sendo salvos. Jesus optou pelo discipulado como meio de alcançar todas as nações (Mt. 28.19-20), pois este modelo de crescimento supera as barreiras temporais, isto é, funcionou no passado, funciona hoje e funcionará até o arrebatamento da Igreja.

Quando Jesus estava na Terra muitos quiseram segui-lo, mas não pagaram o preço do discipulado (Mt. 19.16-24). O chamado de Cristo inclui renúncia, abnegação e compromisso com o Mestre. Podemos ver a diferença entre os seguidores e os discípulos na “Primeira Multiplicação de Pães” (Jo. 6.5-13). Jesus fez o milagre, mas deu aos discípulos a incumbência de alimentar as multidões. Note que os seguidores vivem atrás dos sinais, mas são os discípulos quem operam sinais (Mc. 16.17-18). Um dia depois de saciar a multidão, o discurso de Cristo foi mais veemente, e, por conta disto, os seguidores deixaram-no, ficando com o Mestre apenas os verdadeiros discípulos (Jo. 6.60-68). O seguidor está apenas envolvido com Cristo, enquanto o discípulo está totalmente comprometido com Ele.

A Igreja atual deve investir maciçamente no discipulado, pois trata-se da formação do caráter de Cristo (Ef. 4.13) nas pessoas que aceitam a Jesus como Salvador, e também do melhor meio para que os crentes se tornem frutíferos na obra e sadios na fé. A falta de discipulado na Igreja produz crentes fracos espiritualmente e descomprometidos com a cruz de Cristo (Mt. 16.24). Sem falar no grande número de seitas e heresias que enganam diariamente muitos cristãos sinceros, que desconhecem as doutrinas cardeais da fé cristã (2 Pe 3.18). Além disso, a Igreja sem discipulado estagna seu crescimento e compromete o seu futuro, gerando com isso muitos desviados, que não permanecem servindo a Deus pela falta de estrutura de fé (Mt. 7.26,27).

Amado irmão, não se contente em apenas fazer com que o pecador aceite a Jesus como Salvador, ensine-o a identificar-se com Cristo, desde seus primeiros passos de caminhada de fé por meio de um método sério de discipulado. Você verá que quando este crente amadurecer, será um verdadeiro discípulo do Senhor, o Mestre por excelência.

Nenhum comentário:

Postar um comentário